‘Liga da Justiça de Zack Snyder’: versão do diretor está entre nós

Aguardada versão foi lançada digitalmente após longa campanha. Produção tem quatro horas de duração e ressalta a autonomia anteriormente negada

Divulgação/Warner Bros. Pictures

Haverá quem diga que Liga da Justiça de Zack Snyder, popularmente conhecido como ‘Snyder Cut’, é o mesmo filme lançado em 2017 com horas de cenas extras. Outros dirão que este é um novo filme. Entre um e outro, é inegável que esta versão já é muito mais empolgante, até pelo hype criado em torno da existência de quatro horas de material que muitos achavam ser mera publicidade de um diretor que perdeu os direitos sobre sua obra.

Aliás, se tem algo que pode resumir este momento não é só a história do filme em si, mas a conquista de Snyder para trazer a tona sua versão da Liga da Justiça. Afinal, não é todo dia que vemos um estúdio permitir que a obra, antes descartada, tenha uma segunda chance. E ela existe mesmo!

A produção do primeiro grande encontro de heróis da DC Comics foi marcada por diversos atritos entre o diretor e o estúdio, Warner Bros, que não concordava com a versão final. Mesmo com o filme inteiramente rodado e perto de estrear nos cinemas, Zack Snyder deixou o projeto. No mesmo período, o diretor sofreu uma grande tragédia pessoal, o suicídio da filha.

Desse modo, Snyder foi substituído pelo diretor Joss Whedon, responsável por trazer outra equipe de heróis ao cinema, Os Vingadores, da Marvel. O resultado acabou sendo um filme apressado, com o acréscimo de cenas cômicas e outras pra lá de controversas. Em outras palavras, parecia a DC tentando ser a Marvel, o que desagradou muitos fãs. Após o desastre nos cinemas, a Warner viu seu universo cinematográfico de heróis ameaçado, e assim projetos foram cancelados e outros adaptados às novas tendências.

Ben Affleck, Gal Gadot e Zack Snyder nos bastidores de ‘Liga da Justiça’ – Reprodução/Internet

Verdade seja dita, mesmo após quatro anos desde o lançamento de A Liga da Justiça, muito se especulou sobre a sua verdadeira versão, com Zack Snyder afirmando ter o filme em mãos. Logo, acusações foram feitas, campanhas promovidas… E o filme está entre nós em 2021! Dessa vez lançado digitalmente, promovendo o serviço de streaming HBO Max.

A premissa é praticamente a mesma do filme de 2017, com Batman recrutando heróis para combater o Lobo da Estepe, uma ameaça alienígena que parte em busca das três Caixas Maternas, artefatos de poder que lhe permitirão conquistar a Terra. A morte do Superman, vista no filme Batman vs Superman (2016), ainda é outro ponto em destaque.

O que difere este filme da sua versão anterior são de fato as novas cenas e a trilha sonora, que combinadas, revelam uma trama mais ambiciosa e com ares de épico. Os arcos de cada personagem são melhores desenvolvidos, dando uma sensação de tridimensionalidade. Além disso, existem vários momentos que contextualizam bem todo o universo DC planejado por Snyder.

Aqui você vê uma boa apresentação de Flash, Aquaman e Ciborgue, sem que tenhamos suas histórias de origem reveladas até então. Até mesmo coadjuvantes como Lois Lane e Silas Stone ganham um bom destaque na trama.

O Lobo da Estepe, mesmo em nova roupagem, continua sendo um vilão de CGI com pouco aprofundamento, mas que tem suas intenções melhores desenvolvidas. Darkseid é quem vai despertar a atenção de quem conferir esta versão.

Darkseid em Liga da Justiça – Reprodução/Internet

Como Zack Snyder era o principal nome envolvido no Universo Cinematográfico da DC, este filme traz arcos que seriam melhores desenvolvidos futuramente. Mesmo depois de quatro horas, você quer saber o que vai acontecer daqui pra frente.

É curioso dizer que tal versão não se encaixaria tão bem no cinema, tendo em vista suas quatro horas de duração que podem fazer a experiência ser um tanto cansativa. Portanto, não duvide que a versão que seria lançada nos cinemas no ano de 2017, mesmo assinada por Zack Snyder, teria sim alguns cortes.

Por essa razão, a escolha pelas plataformas digitais funciona, havendo até mesmo uma divisão da obra por capítulos. Pode-se dizer que A Liga da Justiça de Zack Snyder não é nem um filme e muito menos uma minissérie. É uma obra caprichada do diretor, como uma série de quadros expostos em um museu, para os fãs dos heróis da DC se deleitarem.

Isso não desqualifica a obra, pelo contrário, a autonomia do diretor é muito bem vinda nesse universo que claramente ganha nuances tão interessantes quanto aos do universo da Marvel. Aqui, personagens que poderiam muito bem ser vistos como heróis coadjuvantes pelo grande público, como o caso do Ciborgue, podem sim serem uma espécie de heróis supremos tal como Superman e Mulher Maravilha.

A Liga da Justiça - Reprodução/Internet
A Liga da Justiça – Reprodução/Internet

A abordagem deixa claro que sacadas cômicas não necessariamente sustentam esta obra, ou que seja um padrão perfeito para os filmes de heróis. O humor até está presente, mas de modo sutil e muito menos esculachado como nas cenas adicionais de Joss Whedon em 2017.

Em outras palavras, a obra ainda haverá de causar certo burburinho. Muitos persistem na comparação com os filmes da Marvel. Outros questionam as técnicas do diretor. Outros haverão de defender com unhas e dentes.

Sinceramente falando, a narrativa criada por Zack Snyder funciona bem, senda esta versão uma experiência muito mais completa que a de 2017 e que merece ser conferida por quem ame ou odeie.